O
r
egulamento
(CE) nº 178/2002 do Parlamento Europeu e do Conselho, que tem
como primeiro objetivo de aproximar conceptos, principios e
procedimentos de cara a livre circulação
de alimentos seguros e
saudáveis, no artigo
18, introduz, pela primeira vez com caráter horizontal, para
todas as empresas alimentárias e de pensos, a exigência
de dispor a partir do 1 de janeiro de 2005 de um sistema de
rastreabilidade,
“dos alimentos, os pensos, os animais destinados à
produção de alimentos e de qualquer outra substância
destinada a ser incorporada em um alimento ou um penso, ou com
probabilidade de sê-lo”
Objetivos
Rastreabilidade
é registrar todos os elementos referidos à história
de um produto ou animal, desde o início ou nascimento até
a comercialização.
Os objetivos principais que deve ter um bom sistema de rastreabilidade são:
Cumprir a legislação vigente: Segurança alimentária.
Melhora da Imagem. Certificação de denominação de origem.
Melhora da qualidade. Certificação de processos de produção (certificados de qualidade).
Melhora
do processo produtivo. Gestão eficiente e produção
ótima.
A união destes objetivos fazem que a implantação de um bom sistema de rastreabilidade seja um investimento rentável para todas as empresas (inclusive para as PMEs), bem como uma ferramenta diferenciadora, que situe à empresa numa posição vantajosa frente à concorrência.
Cumprir a legislação vigente: Segurança alimentar
Para
a União Européia o objetivo fundamental é a
segurança alimentar, lançada a raiz da EEB/:
Encefalopatia Espongiforme Bovina ("Vaca Louca") e plasmado
no LIVRO BRANCO SOBRE SEGURANÇA ALIMENTAR, BRUXELAS
12/1/2000
O Objetivo fundamental do livro branco de segurança
alimentar é fixar novas medidas para melhorar a segurança
alimentar, apresenta mais de 80 ações independentes
previstas, isto é modificar a Legislação sobre
segurança alimentar.
Referências
específicas a rastreabilidade no LIVRO BRANCO SOBRE SEGURANÇA
ALIMENTAR:
A legislação Nacional se está
adaptando atualmente a estas ações propostas no livro
branco, como é a ORDEM APA/1556/2002 sobre sistema de controle
do destino dos subproductos gerados na cadeia alimentar cárnica.
Melhora da Imagem: Certificação da denominação de origem
A
rastreabilidade permite adaptar-se as mudanças nos hábitos
dos consumidores, quem exigem cada vez mais segurança
alimentar.
A rastreabilidade recupera a confiança dos consumidores e respalda a credibilidade no consumo dos alimentos. Dando grande importância a outros fatores que transmitam confiança, como é que o produto seja identificável desde a origem.
Granja
Distribuição
e Venda
Sem
dúvida a maior melhora da imagem, contribui a permanência
de um produto a uma denominação de origen, ou entrar
dentro de um conselho regulador. Para estes dois casos, é
obrigatório assegurar o rastreamento das origens e destinos
dos produtos elaborados. E em muitos casos de todas as operações
realizadas.
![]()
Matadouro/
Sala de desmancha
Fábrica
de produtos elaborados
![]()
Na granja:
Identificação individual dos animais.
Identificação dos lotes de exploração
No matadouro:
Lote de sacrifício.
Nº de crotal
Na sala de desmancha:
Lote de produtos.
Identificação individual de cada uma das peças
A rastreabilidade se deve manter entre cada uma das peças com o animal ou lote de animais de procedência. IMPORTANTE: no RD 1083/2001 a norma era muito mais restritiva, pedia que cada peça se identificasse com cada animal, no entanto na modificação pelo RD 144/2003 se obriga a só identificar com o lote de procedência.
Melhora da qualidade. Certificação de processos de produção (certificados de qualidade)
Dentro dos objetivos fundamentais das empresas hoje em dia está a certificação e a manutenção de certificações de qualidade. A implantação de um sistema de rastreabilidade, permite ter uma ferramenta muito potente quanto ao controle de fluxo produtivo, isto permite ter um controle exaustivo do Mapa de processos.
Melhora do processo produtivo: Gestão eficiente e produção ótima
Um tema muito importante e fundamental sobretudo numa pequena-média indústria, o investimento num destes sistemas deve contribuir não só um valor adicionado em qualidade (sistema de rastreabilidade em si), senão que deve ser uma ferramenta eficiente de gestão e controle do sistema produtivo (otimização do processo produtivo). Um eficiente sistema de rastreabilidade tem controlado a todo momento todas entradas ao sistema produtivo (compras), recursos dos que se dispõe (funcionários, estoques, matérias auxiliares, salas, etc.), fluxo de matéria, saídas/expedições (pedidos de compra).
O sistema de rastreabilidade terá em conta os seguintes elementos:
Pedidos compra.
Provedores.
Identificadores.
Salas/câmaras/secador.
Produtos.
Operarios.
Fórmulas/Procedimentos.
Desmanchas/Divisões.
Operações Gerais.
Pedidos de venda/expedição.
Clientes.
Como se pode ver, a informação que dispõe o sistema é a da fábrica em completo, portanto permitirá optimizar a produção a dispondo de forma instantânea e centralizada informação de todos os pedidos de compra, de venda, estado dos pedidos, os estoques existentes dos diferentes produtos, as operações que se realizaram, etc.
O sistema de rastreabilidade deverá integrar-se na empresa, portanto terá que ajustá-lo, para que se comunique de forma eficiente com outros sistemas existentes, tal como o sistema de contabilidade, etc...
Sistemas de rastreabilidade. Características fundamentais
IDENTIFICAÇÃO NÃO É RASTREABILIDADE Não deve confundir-se o termo Rastreabilidade com Identificação de produtos/animais. A identificação é um meio para conseguir a rastreabilidade, mas não é o único investimento a realizar ao implantar um bom sistema de rastreabilidade.
Todos os sistemas de rastreabilidade devem ter os seguintes módulos ou componentes essenciais:
Identificação.
Módulo Central.
Módulo distribuído em planta ou de Atualização.
Módulo de Consulta e Administração.
Módulo de Publicação.
Identificação
A identificação dos produtos/animais, é fundamental para o funcionamento do sistema de rastreabilidade. Esta identificação deve realizar-se por algum dos muitos métodos existentes actualmente:
Etiquetas com códigos de barras: cada elemento a rastrear é identificado por un código de barras. A identificação realiza com um código interno, que só é gestionado pelo sistema, mas fácil de gerar em qualquer momento, se sairia fora da empresa, mediante uma codificação standard (EAN.UCC 128). Grande flexibilidade, permite controlar a rastreabilidade por conteúdo do elemento identificado com a possibilidade de gerar automaticamente as etiquetas. Não permite a identificação de animais, mas sim a identificação de documentação e produtos embalados.
Etiquetas/crostales: Id visual pode conter um código de barras. É de fácil identificação. Tem dificuldade de leitura pelo problema da sujeira no código de barras.
Crostales com Chip RFId: Implantado na orelha, possui um código único e fica no animal durante toda sua existência. A decodificação do número se efectua com o leitor eletrônico (ou identificação visual se estiver impressa). Fácil de aplicar. Não se perde. Garantia de certeza, confiança e inviolabilidade da identificação. Facilmente editável ao longo de todo o processo (granja-transporte-matadouro-sala-desmancha).
Bolo: Fornece ao animal, um bolo de cerâmica com um microchip interno, com um número de identificação único. Para sua leitura é necessário um leitor eletrônico. Fácil de implantar. Não se perde. Garantia de certeza e confiança na identificação.
Encapsulados chip RFId: Dentro de uma cápsula de cristal que permite ser colocado subcutáneamente no animal. Uso estendido em identificação de mascotes. Não se perde. Garante certeza e confiança na identificação.
Todos os Chips RFId, levam sistemas de proteção de datos e password.
Leitores
Leitura visual.
Módulos de leituras estáticos de chips RFId.
Módulos de leitura portáteis. Com capacidade para adicionar dados ao leitor ou conectados directamente a um computador.
Leitor de código de barras.
Análise dos diferentes sistemas de marcado:
Ovino,
bovino e caprino:
No
caso concreto de estudo de marcado de animais, realizou-se no
projeto IDEA (1998-2000), convocado pelo FEOGA da DG/ VI
(Agricultura), com a colaboração do ISIS (Institute
for Systems Informatics and Safety) do JRC (Joint Research Centre)
de Ispra (Itália), com este projeto, pretendeu avaliar a
colocação em prática da identificação
eletrônica num número relativamente grande de animais e
validar o sistema de funcionamento em condições de
campo. O objetivo era a identificação, controle e
seguimento até o sacrifício, de aproximadamente um
milhão de animais das espécies bovina, ovina, caprina
fundamentalmente por ser as espécies de maior interesse nas
regulamentações da Política Agrária
Comunitária.
Depois de ser analisados os diferentes
sistemas de Identificação eletrônica, para os
casos estudados se pensou que o bolo ruminal cerâmico equipado
com um transceiver seria das melhores soluções para os
animais estudados, pelas seguintes vantagens: simplicidade de
aplicação e recuperação, bem como a
total ausência de riscos para o consumidor de carne destas
espécies.
Suíno
Para
o marcado de suíno
se
utilizam vários métodos, mas fundamentalmente os mais
dois usados é o marcado por crotal com chip RFId e o
encapsulado subcutâneo. A
Associação *Interprofesional do Porco Ibérico:
ASICI , encantou-se pelo transponder Q5 de Sokymat. A colocação
do identificador se realiza na pezuña do animal,
encapsulado em cristal (tamanho de 12mm) ou com crotales, onde o
marcado das peças nobres se realizaria no matadouro sala de
desmancha como por exemplo chips "fincados" com posterior
retirada antes de expedir (Campofrio), desta segunda forma se evita
que o chip chegue até o consumidor.
Outros produtos
Para a grande variedade de produtos susceptíveis de ser rastreados se usam fundamentalmente código de barras e chips RFId. De acordo com às normas existentes para a venda de produtos cárnicos a um distribuidor, etc.
Como se comentou um sistema de rastreabilidade oferece mais que um sistema de identificação. Ter um bom software que permita realizar: operações de rastreabilidade complexas, operações de gestão, consultas avançadas, etc... É fundamental a chave para atingir esta versatilidade num sistema de rastreabilidade está em usar um sistema flexível cujas principais caracteríscas é a *modularidade e a escalabilidade.
O sistema de rastreabilidade de RQ LABELS, cumpre com estas condições, no qual permite-nos implementá-lo na corrente completa de produtos cárnicos.
Módulo Central
Inclui
o servidor da aplicação e a Base de dados a qual
armazena os dados de identificação, movimentos,
operações realizadas e sistema de produção.
Também inclui o Interface ou submódulos de acesso à
base de dados para cada um dos outros módulos, controlando em
todo momento o acesso que se realiza.
Módulo distribuído em planta ou de Atualização
Este
subsistema,
será o utilizado para actualizar de forma rápida,
eficiente e singela a informação existente na base de
dados cada vez que seja necessário. Normalmente estará
distribuído em planta ou se realizará através de
equipes portáteis.
Este módulo normalmente é
o mais crítico para colocar em marcha um sistema de
rastreabilidade, é o módulo responsável de
comunicar-se com todas as equipes implicadas no sistema de
rastreabilidade, taís como:
Leitores código de barras.
Básculas.
Impressoras de código de barras.
Trens de pesado..
A seleção da localização destes pontos dentro da planta se determina depois de realizar uma análise de APPCC e avaliar umas condicionantes de tipo operativo e físico. Com isto nos asseguramos que realizamos os registos de rastreabilidade necessários a informação, sendo assim temos os meios para dispor dela.
A partir deste sistema realizam-se as seguintes operações:
Configuração do sistema:
Definição dos elementos usados em rastreabilidade.
Produtos com os quais trabalha o sistema.
Aspectos físicos da fábrica.
Base de dados de Clientes e Centrais.
Base de dados de fornecedores
Parametrização do método de trabalho:
Fórmulas ou processos: detalhado a nível de instrução técnica.
Desmanchas.
Configurações produtivas:
Atribuição/Modificação Lotes de produção.
Fechamento de Lotes de recepção: cálculo de *escandallos.
Validação/verificação de dados do sistema.
Tempos de maturação dos produtos/salas.
Curvas de estimação de mermas.
Dados Contáveis
Preços por Kg, por referência.
Descontos a clientes por produto.
Impressão de *albaranes.
Exportado de dados contáveis
A
partir deste módulo se realiza as conexões com os
diferentes departamentos/áreas ou sistemas da empresa: A
informação captada na rastreabilidade/ deve estar
disponível para o cliente ou o consumidor final.
Por
exemplo, no caso do consumidor final, temos que o sistema realiza a
expedição de todos os produtos, etiquetando-os com um
número de identificação de rastreabilidade. Os
sistemas se passam como informação os códigos de
seguimento/rastreabilidade, com este código, usando-o como
índice nas consultas do sistema de rastreabilidade
correspondente podemos sacar toda a informação do
produto adquirido.
Definição dos terminais de rastreabilidade.
De acordo com as necessidades de conexão, deve selecionar os terminais e os módulos que executarão estes terminais, ao mesmo tempo para fornecer mais confiança ao sistema de rastreabilidade, se impõem as seguintes condições: os módulos criados para cada terminal e a eleição do hardware, tal que, se um equipamento parar a produção, pode realizar a partir de outro (sempre que não necessitem dos dados de uma máquina que esteja conectado primeiro,: ex: báscula). Por este motivo foi criado os módulos, que os terminais fossem intercambiáveis, isto é, se um equipamento conectado a uma máquina apresenta problemas,este módulo fornece a opção de conectar a outra estação. Igualmente os leitores identificadores, podem ser usados nas diferentes estações, só realizar uma operação de identificação do terminal com o qual se quer trabalhar. O alcance sem fio destes equipamentos cobre todo o local.
Os pontos mais importantes a configurar:
Devem definir todos os produtos do sistema e seus tipos (elaborado, auxiliar, ...). Para que o sistema calcule o preço final a etiquetar, se pode atribuir preços de venda desses produtos.
Definir os elementos identificadores: recipientes, tipos de recipientes, as taras por defeito, as taras atuais,...
Definição dos passos de elaboração de um produto, especificar as instruções técnicas que o funcionário terá como ajuda na tela do terminal para realizar esses passos.
Definir as desmanchas/fatias/pelados do sistema, para obter posteriormente os *escandallos ou rendimentos dos mesmos.
O sistema gera todos os pedidos de compra e as expedições, isto é se devem dar os dados correspondentes a todos os clientes, fornecedores. Para os clientes ademais se deve configurar a identificação EAN para que o etiquetado se realize corretamente.
O terminal de expedição, é o encarregado de imprimir as etiquetas, possui uma ferramenta que permite maquetar graficamente as etiquetas em um PC de escritório, para depois levá-la ao terminal de expedição e usá-la.
Conclusões
A
rastreabilidade é um ponto muito importante em indústrias
agro-alimentares, vendo-se obrigados a implantá-la por
qualidade ou pela legislação para esse setor em
concreto.
Antes de implantar um sistema de rastreabilidade, um tema muito importante é a seleção do método de marcado/identificação. No entanto um sistema de rastreabilidade eficiente deve ser independente deste sistema de marcado, podendo adaptar o sistema sem problemas.
Deve ficar bem claro que a Rastreabilidade é Identificação. Deve-se exigir a um sistema de Rastreabilidade a capacidade para registrar todos os elementos/ações/ operações realizados na história de um produto ou animal, desde o início ou nascimento até a comercialização. O sistema deve configurar para que esse registo se realize sobre todos os elementos/ações/operações que possam alterar a qualidade do produto.
Um sistema de rastreabilidade deve ter características fundamentais:
Flexibilidade.
A
implantação do sistema na planta se pode considerar
como o ponto crucial. Cada planta tem um método de trabalho
diferente e máquinas diferentes. Só se consegue um
sistema flexível com um desenho MODULAR.
Fácil
manejo.
Deve conseguir um
fácil manejo do sistema em dois pontos; na planta com
terminais que facilitem as instruções técnicas
ao funcionário, e nos escritórios, com um sistema de
configuração e consulta singelo.
Nível
de rastreabilidade
facilmente
configurável.
O
nível de rastreabilidade deve fixar pela empresa, a
rastreabilidade contribui valor adicionado ao produto mas deve
contribuir o menor custo possível. É decisão da
empresa fixar o nível de rastreabilidade que equilibre esses
dois elementos. Por isso os sistemas de rastreabilidade devem poder
definir os processos e os passos para rastrear esses processos.
Ser
uma potente ferramenta de gestão.
A
implantação de um sistema de rastreabilidade exige um
custo, esse sistema é ademais uma potente ferramenta de
gestão e ajuda na tomada de decisões (optimização
de recursos, melhora a faturação, etc...) O
investimento será muito mais rentável.
Capacidade
de consulta de dados por parte dos clientes.
Uma
vez traçado um processo produtivo, é fundamental que o
sistema de rastreabilidade tenha um método para dar a
conhecer ao cliente os dados do produto que acaba de adquirir. Com
isto se consegue que o produto tenha um valor adicionado (maior
segurança por parte do cliente) e uma fidelização
do mesmo.
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